Folha da Manhã
13.05.2008
Esporte
Lenda do futebol brasileiro – Mestre Didi
Mestre Didi foi campeão na Suécia, mas foi no Chile, em 1962, que ele chegou ao ápice da carreira. O campista ainda é apontado por muitos como o melhor jogador daquele mundial, desbancando até mesmo Pelé e Garrincha, na conquista do bicampeonato.
Não há duvida quanto à genialidade do Didi, a quem Nelson Rodrigues chamava de “príncipe etíope de rancho”, encantado pela sua elegância.
Mas compará-lo ao Pelé, em Chile 62, é de uma ignorância crassa sobre futebol, afinal, Pelé, vítima de contusão, abandonou a Copa ainda no segundo jogo, contra a Tchecoslováquia (empate de 0 x 0), sendo substituído por Amarildo (“O Possesso” – outra alcunha rodrigueana).
Mesmo a comparação com Garrincha é arriscada, pois sabemos que 62 foi justamente a Copa em que o desconcertante Mané foi o insuperável virtuose, um solista em estado de graça.
E por falar em Nelson Rodrigues, fiquem com esse trecho de uma crônica de sua autoria, de 25/02/1958, comentando Santos 5 x 3 América, no Maracanã, pelo Torneio Rio-São Paulo. É a primeira vez que o autor fala sobre Pelé, então com 17 anos de idade, e já o chama de “Rei” (o primeiro a fazê-lo).
Há certas idades que são aberrantes, inverossímeis. Uma delas é a de Pelé. Eu, com mais de quarenta, custo a crer que alguém possa ter dezessete anos, jamais. Pois bem: — verdadeiro garoto, o meu personagem anda em campo com uma dessas autoridades irresistíveis e fatais. Dir-se-ia um rei, não sei se Lear, se imperador Jones, se etíope. Racialmente perfeito, do seu peito parecem pender mantos invisíveis. Em suma: — Ponham-no em qualquer rancho e sua majestade dinástica há de ofuscar toda a corte em derredor.