Isto, abaixo, li no “Folha da Manhã“, que prefiro chamar de “Falha do Manhães”:
Folha da Manhã
23.12.2007
Geral
DESCASO
Moradores acreditam em magia negra
Mesmo diante dos problemas antigos, como esgoto brotando no meio das ruas, acúmulo de lixos em terrenos baldios, o que contribuem para a proliferação de mosquitos e ratos, a população do Santa Rosa, mais precisamente os moradores da rua Soldado Salvador Rosa, ainda preferem acreditar que as quatro crianças foram vítimas de magia negra.
A dona-de-casa Fabiana Clemente, 27 anos, conta que não tem medo de que seus filhos, um de três meses e outro de cinco anos, acabam sendo infectados por doenças misteriosas, já que ela afirma saber o verdadeiro motivo dos óbitos. “As mães delas se envolveram em uma briga com uma mãe de santo que veio pra cá da Bahia. A senhora jurou vingança e, dias depois que ela foi embora, as crianças caíram doentes e morreram. Isso não foi provocado por doença, mas sim por trabalho encomendando, feito para elas, mas que acabou pegando nos filhos — contou Fabiana.
Já, o secretario municipal de Saúde, Rodrigo Quitete, prefere acreditar na hipótese levantada pelo ministério da Saúde, e disse afirmar que as condições de saúde e higiene do Santa Rosa vão melhorar em 2008.
Sendo essencialmente prático:
1. Acúmulo de lixo! É mesmo necessário dizer porque “acúmulo de lixos” deve ser evitado (para além das razões de higiene)?
2. O que contribui, não é mesmo? O autor do texto poderia ter dito “que contribuem” (lixo, esgoto) ou “o que contribui” (a condição de insalubridade), mas nunca “o que contribuem”.
3. Acabem sendo infectados. O verbo “acabar” deveria estar no presente do subjuntivo.
4. Mãe-de-santo, com hífen.
5. Quer dizer então que o Secretário de Saúde “prefere acreditar” (a repetição desta locução deveria e poderia ser evitada) na versão do Ministério da Saúde, em detrimento da crença em magia negra? Como pode?
6. Disse afirmar? O que quer dizer isso? Ele disse, ele afirmou, tanto faz; mas, “disse afirmar”?