Jornal O Diário
22.12.2007
EXEMPLOS A SEREM SEGUIDOS
A enxurrada de denúncias de corrupção envolvendo o governo de Campos talvez não seja menor do que o sentimento de impunidade que vinha acometendo a população. Usamos o verbo no particípio passado por uma razão simples: o Juiz da 3ª Vara Criminal, Glaucenir de Oliveira, contribuiu na inversão, a partir do momento em que determinou, ao delegado titular da 134ª Delegacia Legal, Sérgio Lorenzi, abertura de inquérito para apurar indícios de superfaturamentos em obras emergenciais.
Mas que cazzo de verbo está no particípio passado, afinal?
Envolvendo? Gerúnido!
Seja? Presente do subjuntivo!
Vinha? Pretérito imperfeito!
Acometendo? Gerúndio!
É claro que o texto acima faz referência à locução “vinha acometendo“, que não está, seguramente, no particípio passado. Trata-se de uma conjugação perifrástica, isto é, locução verbal constituída de verbo auxiliar (vinha) mais gerúndio (acometendo) ou infinitivo.
O particípio, por sua vez, é geralmente formado com os sufixos -ado (para a primeira conjugação) e -ido (para a segunda e terceira conjugações), colocados, nos verbos regulares, após o radical do infinitivo (amado, parado, vendido, sentido); alguns verbos possuem particípio irregular, como pôr – posto, fazer – feito, e há ainda os que possuem dois particípios, um regular e outro irregular, como pagar – pagado e pago (mas atente para o uso correto de cada um, a depender do verbo auxiliar).
No texto do jornal, seria particípio passado caso a frase fosse, por exemplo, “a população esteve acometida de sentimento de impunidade”.
O Diário, com jeitão pernóstico, invoca a gramática para continuar castigando a pobre língua portuguesa. Essa gente, nem levando porrada aprende a escrever.