Archive for the ‘Bestiário’ Category

Saulo, guardião do “erário público”

10 fevereiro 2009

Folha da Manhã
09.02.2009
Folha Geral
Saulo Pessanha

Desperdício
(…) Em tempos de crise financeira, uma verdadeira afronta ao erário público.

Ora, caro colunista, “erário” é o “conjunto dos recursos financeiros públicos; os dinheiros e bens do Estado; tesouro, fazenda” (Houaiss). Portanto, simplesmente “erário”. O “público” é redundante, desnecessário. Um vício de linguagem (tautologia). Caso seja preciso especificar, mencione “erário municipal”, “erário estadual” ou “erário federal”, a depender do âmbito a que se refere.

Este é um erro semelhante (e tão frequente quanto) a “elo de ligação”.

Tome nota, Saulo!

Escute, eminência!

4 fevereiro 2009

Folha da Manhã
30/01/2009
Ponto Final
Aluysio Cardoso Barbosa

Emitente epidemia

O secretário Paulo Hirano agiu correto, ao admitir que Campos, o maior município do interior do Estado, está diante de uma eminente epidemia de dengue, que seria a segunda consecutiva. Disse que, infelizmente, a proliferação do mosquito vetor se ampliou em dezembro.

Vejam vocês, o eminente (sublime, excelente) jornalista conseguiu escrever “iminente” (o que está prestes a acontecer; o que pode vir a acontecer) duas vezes errado.

Suspeito que o “Falha do Manhães” não leia este blog, do contrário já teria aprendido com os próprios erros. Eu só os aponto. Mas isso cansa, sabem? Estou na iminência de desistir.

Silvia Amarrada, Chicoteada e Salgada

15 dezembro 2008

A colunista de O Diável, Silvia Salgado, sempre muito bem informada, avisa:

O futuro presidente da Fundecan, Luiz Eduardo Crespo, tem alma de artista, o que só enriquece a sua biografia. Ele interpretou o galã na peça “Constantina”, de Samerset Mougman, em 2002, um sucesso estrondoso. Sonhava em repetir a experiência, ou seja, voltar a pisar no palco, mas com o novo cargo terá que adiar os planos“.

Acho que ela quis dizer Somerset Maugham, por extenso, William Somerset Maugham (25/01/1874 – 16/12/1965), mais conhecido por ser o autor de “Of Human Bondage” (1915), obra que a colunista deve achar que seja alguma narrativa sobre fetiche.

Hélio Cordeiro, um homem além do seu tempo

15 dezembro 2008

Em sua coluna em O Diável, o – valha o termo – jornalista disse:

Dia Internacional Contra Corrupção, celebrado na terça-feira próxima (…)

Vai ser bom, não foi?

Tema pulsante

21 maio 2008

O Diário
20.05.2008
Ação para proteger a lagosta
Telmo Filho

Policiais da 3ª Companhia de Polícia Florestal e Meio Ambiente de Campos (…) apreenderam cerca de 30 gaiolas para capturar lagostas, duas redes de nylon, três pulçares (sic), dois trabucos calibre 28 e uma espingarda calibre 32.

Veja só, “três pulçares“! A captura de lagostas há muito deixou de ser uma atividade de gente confiável. O que pretendiam com os “pulçares” (embora eu não os conheça)? Boa coisa não deve ser!

Bons tempos quando se usava apenas um único e singelo puçá. Ou, se tanto, dois puçás.

Embusteiro

14 maio 2008

Folha da Manhã
13.05.2008
Artigo
A arte literária de José Cândido de Carvalho
Ricardo Gomes

Em seis parágrafos e exatamente quatrocentos e vinte e seis palavras, o autor do artigo consegue a proeza de enxertar nada menos que duzentos e cinqüenta e nove palavras em citações diretas (aquelas aspeadas), ou seja, mais de 60% do texto. Sem contar, é claro, as citações indiretas.

Em síntese, da própria pena, somente as introduções às aspas, a exemplo de “comentário do autor ao livro Ninguém mata o arco íris”, “Eduardo Portela, em comentário ao livro Ninguém mata o arco íris”, “No comentário da edição da Editora José Olympio, do livro Ninguém mata o arco íris-35 retratos 2×4, comentários de Eduardo Portela, temos uma colocação extremamente importante, que ora transcrevo”.

Ou platitudes tautológicas do tipo “Lançando um olhar critico sobre o conjunto da obra de José Cândido de Carvalho, encontramos algumas peculiaridades. Os estilos de sua obra evidenciam alguns pontos nada comuns em outros autores (…)”.

Espantoso.

Como diria meu avô, “isso é que é fazer mesura com o chapéu alheio”. Ou, como prefere o vulgo, “gozar com o pau dos outros”.

Incomparáveis

14 maio 2008

Folha da Manhã
13.05.2008
Esporte
Lenda do futebol brasileiro – Mestre Didi

Mestre Didi foi campeão na Suécia, mas foi no Chile, em 1962, que ele chegou ao ápice da carreira. O campista ainda é apontado por muitos como o melhor jogador daquele mundial, desbancando até mesmo Pelé e Garrincha, na conquista do bicampeonato.

Não há duvida quanto à genialidade do Didi, a quem Nelson Rodrigues chamava de “príncipe etíope de rancho”, encantado pela sua elegância.

Mas compará-lo ao Pelé, em Chile 62, é de uma ignorância crassa sobre futebol, afinal, Pelé, vítima de contusão, abandonou a Copa ainda no segundo jogo, contra a Tchecoslováquia (empate de 0 x 0), sendo substituído por Amarildo (“O Possesso” – outra alcunha rodrigueana).

Mesmo a comparação com Garrincha é arriscada, pois sabemos que 62 foi justamente a Copa em que o desconcertante Mané foi o insuperável virtuose, um solista em estado de graça.

E por falar em Nelson Rodrigues, fiquem com esse trecho de uma crônica de sua autoria, de 25/02/1958, comentando Santos 5 x 3 América, no Maracanã, pelo Torneio Rio-São Paulo. É a primeira vez que o autor fala sobre Pelé, então com 17 anos de idade, e já o chama de “Rei” (o primeiro a fazê-lo).

Há certas idades que são aberrantes, inverossímeis. Uma delas é a de Pelé. Eu, com mais de quarenta, custo a crer que alguém possa ter dezessete anos, jamais. Pois bem: — verdadeiro garoto, o meu personagem anda em campo com uma dessas autoridades irresistíveis e fatais. Dir-se-ia um rei, não sei se Lear, se imperador Jones, se etíope. Racialmente perfeito, do seu peito parecem pender mantos invisíveis. Em suma: — Ponham-no em qualquer rancho e sua majestade dinástica há de ofuscar toda a corte em derredor.

Chuta que é macumba

13 maio 2008

Beth Motta, do Museu de Campos, entrevistada em “De olho na cidade“, disse que “macumba” significa “louvar o Senhor“.

Não é nada disso, professora. A origem é controversa, mas em nenhuma das incursões etimológicas conhecidas há essa versão.

Há quem afirme (Cacciatore) ser palavra originária do quimbundo (Angola): ma (o que assusta) + kumba (soar), ou seja, “soar  asustadoramente” ou, ainda, maku + mba (sortilégio).

Antenor Nascentes entende que a origem está em makumba, também do quimbundo, plural de dikumba (cadeado, fechadura), alusiva ao ritual de “fechamento de corpo”.

O que há por trás de origem etimológica tão peculiar quanto a “ensinada” por Beth Motta? Não sei, mizifio, mas suspeito que isso tenha algum parentesco com releituras “inovadoras” da História, a exemplo daquela segundo a qual Zumbi dos Palmares “solicitava” (i.e, dava o cu).

Redator insustentável

13 maio 2008

O Diário
13.05.2008
Editorial
Situação insustentável

A placa mãe (VÍRGULA) o computador que armazena todos os pagamentos efetuados pela prefeitura (VÍRGULA) foi apagada.

Vejam que maravilha. Além de desprezar o uso da vírgula, o sujeito é um total ignorante de noções elementares de informática. Confunde placa-mãe (olha o hífen, jumento!) com computador e sequer desconfia que a unidade de armazenamento é o disco rígido ou HD (hard disk).

SIC

13 maio 2008

O Diário
13.05.2008
Opinião
Painel Diário
Da Redação
Habeas corpus negado (2)

Jorge Mussi, ministro relator que negou o pedido de Alex Campos, fundamentou sua decisão. Mussi argumenta que “as investigações iniciadas, denotam um sólido esquema criminoso no município de Campos dos Goytacazes, do qual o paciente (Alex) integra, voltado para a prática de ilícitos em desfavor do erário público, tais como corrupção, lavagem de capitais, fraudes inúmeras, envolvendo a própria estrutura administrativa da municipalidade”.

Note que o jornal afirma ter o Ministro Mussi (STJ) argumentado que “as investigações…”. Na verdade, trata-se de citação, pelo Ministro, de decisão do Desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região que indeferiu pedido de concessão sumária de writ (mandado de segurança), mantendo a custódia cautelar de Alex Campos.

Ainda bem. Deporia contra a reputação do Ministro esse abominável “erário público“, de autoria do Desembargador do TRF. O substantivo “erário“, como o colunista de O Diável deveria saber, dispensa o adjetivo “público”, pois designa, por si só, conjunto dos recursos financeiros públicos; os dinheiros e bens do Estado.

Uma boa oportunidade para o uso do “sic”.