Archive for the ‘Cidade’ Category

Digam-me

16 setembro 2009

Devo estar desinformado, comme d’habitude. Por isso rogo que me digam o que faz A Rosinha em Campos. Ela mora aqui? Cumpre expediente na sede da prefeitura? Recebe secretários e munícipes? Visita lugares que reclamam boa intervenção do poder público? Está ocupada em resolver coisas aflitivas do cotidiano antes de tomar pelos chifres temas cascudos?

Fico abismado com o fato de uma ex-governadora que prometeu redenção e de quem ninguém (eu, pelo menos), desde então, jamais ouviu falar.

Tenho visto O Rosinha, ocasionalmente. Tem pernas finas, mas continua circulando pela cidade com galhardia.

Talvez A Rosinha devesse fazer o mesmo.

Quanto mais não fosse, perderia um pouco de banha.

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Negros

4 janeiro 2009

Conversando entre amigos, falei do quanto acho estranho ver tão poucos negros em uma cidade que teve, proporcionalmente, a maior população escrava do país; infinitamente mais do que Salvador, São Luiz ou Rio de Janeiro – cidades negras.

Sim, estou falando de Campos dos Goytacazes. Se é que lhe interessa.

Um espírito-de-porco fez a torpe provocação:

– Você é um elitista. Só freqüenta o grand-monde e seus endereços protegidos. Por isso não vê negros.

Bem, pouco freqüento o grand-monde (o que quer que isso signifique). A bem da verdade, tenho uma atração irresitível por formas extremas de sobrevivência. De qualquer modo, a provocação do espírito-de-porco parece evidenciar o que a minha perplexidade apenas insinua.

Se é que você me entende.

O que me faz lembrar parte de um capítulo das memórias de Nelson Rodrigues (1967). Vejam:

A “democracia racial” que nós fingimos é a mais cínica, a mais cruel das mistificações. Quando andou por aqui, Jean-Paul Sartre fez cinco, seis ou dez conferências. E sempre que o gênio falava, era um sucesso tremendo. Gente em pé, sentada, pendurada, trepada etc. etc. Na última palestra, o filósofo perdeu a paciência. Vira-se para dois ou três brasileiros, que o lambiam com a vista, e perguntou: – “E os negros? Onde estão os negros?”.

Perfeitamente justa a irritação do francês. Até então, nas suas conferências, só vira uma platéia loura, alvíssima, de olho azul, caras sardentas. Repetiu: – “E os negros?”. Um brasileiro cochichou, no ouvido de outro, a graça vil: – “Os negros estão por aí, assaltando algum chauffeur“. Mas ninguém teve o que explicar ao visitante. E Sartre voltou para a Europa sem saber onde é que se metem os negros do Brasil.

Assédio

21 dezembro 2008

Mandei um e-mail para Deeva Breu no qual digo que o seu blog é o que há de mais inteligente na literatura campista nos últimos 40 anos. Sob o aparente deboche gratuito há crítica de costumes poderosa e senso de humor invejável. Além disso, a construção da personagem é por si só digno de nota (são raros os autores de blog que conseguem fazê-lo). Empolgado, disse à Deeva que ela é um patrimônio cultural da cidade e como tal deveria ser tombada. Sabem o que a maluca me respondeu?

– Me tombe, Ururau. Me jogue no solo e me faça mulher!

I rest my case.

Vantagens competitivas

18 setembro 2008

Ainda ontem li toda a edição da Falha do Manhães, Inclusive os classificados. Estava degustando uma Erdinger Weissbier Pikantus ‘dark bock beer’ e dispunha de tempo para amenidades.

Foi quando me deparei com um daqueles anúcios de “acompanhantes femininas de fino trato”, quase sempre “universítárias” e “recém-chegadas a Campos” (isso deve significar alguma coisa): a moça anunciava “frequicibilidade de horários”. Fiquei encantado!

De fato, há uma forte demanda reprimida por acompanhantes-de-fino-trato-universitárias, desde que recém-chegadas a Campos e com frequicibilidade de horários.

Demorô!

João Paulo Arruda deve estar exultante e com mais algum motivo para vir passar fins de semana na planície.

Habemus Diva!

30 agosto 2008

Neuzinha da Hora!

I’m falling in love.

Bom saber que Campos dos Goytacazes não é a cidade feia que sempre (agüente a sintaxe) se lhe vê na cara.

Neuzinha, alem de bonita, canta bem pra caralho e esbanja franca simpatia.

Ei, moça, quer casar comigo?

Absurdo

14 julho 2008

Há algo de errado nos botecos campistas:

Mojo no SESC

5 julho 2008

O SESC é uma casa de shows tradicional em Campos, com capacidade para 800 espectadores. Cheguei às 19h30min. Conversando com o pessoal da Mojo, soube que Kadico chegara à tarde para a passagem de som e montou seu equipamento que ele próprio trouxera (sim, a banda tem roadies!). Nada do estrelismo usual entre as putas velhas da cena.

Andando pela casa, percebi que várias pessoas estavam esperando ansiosamente a lenda. Muitos, como o Márcio “Enciclopédia do Rock” Aquino, vieram a Campos só para o show; havia guitarristas de São Paulo e Rio, músicos da baixada e surfistas paranóicos, além de uma jovem sósia da Aracy de Almeida, com trajes indefiníveis (dito de outro modo, horrendos). O público era, em sua maioria, de até 25 anos, mas havia pessoas de todas as idades.

Com a casa lotada, a Mojo subiu ao palco. A platéia estava receptiva, às 20:30, para ver e ouvir o “Pai da Criança” em ação.

Lá estava ele, de jeans e o pulôver verde e preto oficial (como o resto da banda e o pessoal de apoio). Simpático, falou algumas palavras em nagô e iniciou com a enérgica “Johny Cash dirigindo seu Hot Rod“, do EP (em fase final de gravação) “Mojo“. Nas primeiras notas, senti que estava no lugar e momento certos. A Fender dourada com desenho de canhoto e cordas invertidas tinha “aquele” timbre. O estilo de Kadico é também bom aos olhos: tanto a mão direita como a esquerda desempenham muito: ritmo o tempo todo, deslizadas de uma ponta à outra das cordas e ocasionais firulas com o mindinho.

Poucas coisas são melhores do que ver uma lenda da música em ação. A impressão forte que ficou é que os 5 integrantes estavam curtindo muito a proximidade e a receptividade do público. Proximidade tamanha que Kadico e o baixista se comunicavam, através de olhares, com várias pessoas (algumas mulheres entre elas). E não tinham vergonha em assumir (rindo) alguns deslizes durante os vários improvisos musicais que aconteceram.

A comunhão entre público e banda resultou em um clima ótimo, e Kadico seguiu com músicas do EP. Ele tocou piston, bateria e até fez um solo de baixo, com o baixista fazendo a mão esquerda e ele percutindo as cordas do baixo COM BAQUETAS! Pra mostrar que não tem frescura, foram tocadas covers, como Smoke on The Water, Fever, House Of The Rising Sun, Third Stone From the Sun (do Hendrix, que ficou MARAVILHOSA) e outras. Na vez da antológica “Bukowski“, Kadico sumiu do palco e apareceu no meio do público, continuando a tocar. Um guitarrista amigo meu comentou que Kadico dava umas roubadas (não tocar todas as notas), mas quem se importa? Foi ele quem inventou o estilo e tem o direito de “roubar” o quanto quiser: por acaso alguém acha que Chuck Berry é ruim porque toca “sujo”? E, assim, seguiu, às vezes colocando riffs dos Ventures no meio de outras músicas, até que alguém gritou “Por uma vida menos ordinária“, quando Kadico perguntou “Who said that?” e dedicou a música ao cara. Foi assim até o final, quando, após breve pausa, a banda voltou para o bis, que durou mais uns vinte minutos, fechando quase duas horas de show.

Sobre os demais integrantes da banda: o baixista (“Biel” Araújo), que usa um Fender Precision idêntico à guita de Kadico (dourado com escudo branco), deve ter uns 40 e poucos anos, mas estava feliz como um moleque de 15, tocando muito e segurando a onda dos improvisos propostos por Kadico, quando iam inventando o som e “conversando” com o olhar. A todo momento ambos chegavam até a beira do palco, e sempre que alguém estendia a mão ganhava uma palheta (eles devem ter dado uma dúzia delas).

O batera (Daniel) era o mais novo dos cinco, furioso e com um timbre (especialmente nos tambores graves) irresistível. A certa altura do show, Kadico chamou Jill, uma garota (mulher dele, eu acho), e contando que fora ele quem a ensinara a tocar, fizeram uma música juntos. Eu ouvi dizer que ele costuma chamar seu irmão de 9 anos para tocar bateria em algumas músicas, mas acho que o garoto não foi ao SESC.

O vocalista, Diogo, esteve um tanto tímido no início, mas em pouco tempo recuperou o velho estilo demoníaco, ainda que tenha arriscado uns falsetes ambíguos.

Pedro Henrique, na guitarra, extremamente discreto, exibia o seu indefectível ar blasé, o que foi interpretado como tédio por novatos.

Encerrado o show, a banda permaneceu por cerca de uma hora ao lado do palco, conversando com os fãs, dando autógrafos e posando para fotos. Os caras são muito simpáticos e têm uma paciência infinita!

Bem, já quase 5 da madruga, fomos embora: a Mojo embarcou em uma Kombi fretada e seguiu para Travessão, onde teriam show no dia seguinte, e eu voltei para casa feliz, com a alma lavada, ainda com o timbre e riffs reverberando no cérebro, certo de que valeu a pena, e muito, dirigir 200 Km só para ver o show.

Que músico! Que exemplo! Kadico, com 60 anos de vida e 40 de rock, tem energia e bom humor invejáveis!

Baranguice, NÃO!

20 junho 2008

Mau hálito, NÃO!

20 junho 2008

Peste bubônica, NÃO!

20 junho 2008