Absurdo

14 julho 2008

Há algo de errado nos botecos campistas:

Mojo no SESC

5 julho 2008

O SESC é uma casa de shows tradicional em Campos, com capacidade para 800 espectadores. Cheguei às 19h30min. Conversando com o pessoal da Mojo, soube que Kadico chegara à tarde para a passagem de som e montou seu equipamento que ele próprio trouxera (sim, a banda tem roadies!). Nada do estrelismo usual entre as putas velhas da cena.

Andando pela casa, percebi que várias pessoas estavam esperando ansiosamente a lenda. Muitos, como o Márcio “Enciclopédia do Rock” Aquino, vieram a Campos só para o show; havia guitarristas de São Paulo e Rio, músicos da baixada e surfistas paranóicos, além de uma jovem sósia da Aracy de Almeida, com trajes indefiníveis (dito de outro modo, horrendos). O público era, em sua maioria, de até 25 anos, mas havia pessoas de todas as idades.

Com a casa lotada, a Mojo subiu ao palco. A platéia estava receptiva, às 20:30, para ver e ouvir o “Pai da Criança” em ação.

Lá estava ele, de jeans e o pulôver verde e preto oficial (como o resto da banda e o pessoal de apoio). Simpático, falou algumas palavras em nagô e iniciou com a enérgica “Johny Cash dirigindo seu Hot Rod“, do EP (em fase final de gravação) “Mojo“. Nas primeiras notas, senti que estava no lugar e momento certos. A Fender dourada com desenho de canhoto e cordas invertidas tinha “aquele” timbre. O estilo de Kadico é também bom aos olhos: tanto a mão direita como a esquerda desempenham muito: ritmo o tempo todo, deslizadas de uma ponta à outra das cordas e ocasionais firulas com o mindinho.

Poucas coisas são melhores do que ver uma lenda da música em ação. A impressão forte que ficou é que os 5 integrantes estavam curtindo muito a proximidade e a receptividade do público. Proximidade tamanha que Kadico e o baixista se comunicavam, através de olhares, com várias pessoas (algumas mulheres entre elas). E não tinham vergonha em assumir (rindo) alguns deslizes durante os vários improvisos musicais que aconteceram.

A comunhão entre público e banda resultou em um clima ótimo, e Kadico seguiu com músicas do EP. Ele tocou piston, bateria e até fez um solo de baixo, com o baixista fazendo a mão esquerda e ele percutindo as cordas do baixo COM BAQUETAS! Pra mostrar que não tem frescura, foram tocadas covers, como Smoke on The Water, Fever, House Of The Rising Sun, Third Stone From the Sun (do Hendrix, que ficou MARAVILHOSA) e outras. Na vez da antológica “Bukowski“, Kadico sumiu do palco e apareceu no meio do público, continuando a tocar. Um guitarrista amigo meu comentou que Kadico dava umas roubadas (não tocar todas as notas), mas quem se importa? Foi ele quem inventou o estilo e tem o direito de “roubar” o quanto quiser: por acaso alguém acha que Chuck Berry é ruim porque toca “sujo”? E, assim, seguiu, às vezes colocando riffs dos Ventures no meio de outras músicas, até que alguém gritou “Por uma vida menos ordinária“, quando Kadico perguntou “Who said that?” e dedicou a música ao cara. Foi assim até o final, quando, após breve pausa, a banda voltou para o bis, que durou mais uns vinte minutos, fechando quase duas horas de show.

Sobre os demais integrantes da banda: o baixista (“Biel” Araújo), que usa um Fender Precision idêntico à guita de Kadico (dourado com escudo branco), deve ter uns 40 e poucos anos, mas estava feliz como um moleque de 15, tocando muito e segurando a onda dos improvisos propostos por Kadico, quando iam inventando o som e “conversando” com o olhar. A todo momento ambos chegavam até a beira do palco, e sempre que alguém estendia a mão ganhava uma palheta (eles devem ter dado uma dúzia delas).

O batera (Daniel) era o mais novo dos cinco, furioso e com um timbre (especialmente nos tambores graves) irresistível. A certa altura do show, Kadico chamou Jill, uma garota (mulher dele, eu acho), e contando que fora ele quem a ensinara a tocar, fizeram uma música juntos. Eu ouvi dizer que ele costuma chamar seu irmão de 9 anos para tocar bateria em algumas músicas, mas acho que o garoto não foi ao SESC.

O vocalista, Diogo, esteve um tanto tímido no início, mas em pouco tempo recuperou o velho estilo demoníaco, ainda que tenha arriscado uns falsetes ambíguos.

Pedro Henrique, na guitarra, extremamente discreto, exibia o seu indefectível ar blasé, o que foi interpretado como tédio por novatos.

Encerrado o show, a banda permaneceu por cerca de uma hora ao lado do palco, conversando com os fãs, dando autógrafos e posando para fotos. Os caras são muito simpáticos e têm uma paciência infinita!

Bem, já quase 5 da madruga, fomos embora: a Mojo embarcou em uma Kombi fretada e seguiu para Travessão, onde teriam show no dia seguinte, e eu voltei para casa feliz, com a alma lavada, ainda com o timbre e riffs reverberando no cérebro, certo de que valeu a pena, e muito, dirigir 200 Km só para ver o show.

Que músico! Que exemplo! Kadico, com 60 anos de vida e 40 de rock, tem energia e bom humor invejáveis!

Baranguice, NÃO!

20 junho 2008

Mau hálito, NÃO!

20 junho 2008

Peste bubônica, NÃO!

20 junho 2008

Câncer, NÃO!

20 junho 2008

Rosinha, NÃO!

19 junho 2008

Rosinha, não!

Thanks, George!

Tema pulsante

21 maio 2008

O Diário
20.05.2008
Ação para proteger a lagosta
Telmo Filho

Policiais da 3ª Companhia de Polícia Florestal e Meio Ambiente de Campos (…) apreenderam cerca de 30 gaiolas para capturar lagostas, duas redes de nylon, três pulçares (sic), dois trabucos calibre 28 e uma espingarda calibre 32.

Veja só, “três pulçares“! A captura de lagostas há muito deixou de ser uma atividade de gente confiável. O que pretendiam com os “pulçares” (embora eu não os conheça)? Boa coisa não deve ser!

Bons tempos quando se usava apenas um único e singelo puçá. Ou, se tanto, dois puçás.

Embusteiro

14 maio 2008

Folha da Manhã
13.05.2008
Artigo
A arte literária de José Cândido de Carvalho
Ricardo Gomes

Em seis parágrafos e exatamente quatrocentos e vinte e seis palavras, o autor do artigo consegue a proeza de enxertar nada menos que duzentos e cinqüenta e nove palavras em citações diretas (aquelas aspeadas), ou seja, mais de 60% do texto. Sem contar, é claro, as citações indiretas.

Em síntese, da própria pena, somente as introduções às aspas, a exemplo de “comentário do autor ao livro Ninguém mata o arco íris”, “Eduardo Portela, em comentário ao livro Ninguém mata o arco íris”, “No comentário da edição da Editora José Olympio, do livro Ninguém mata o arco íris-35 retratos 2×4, comentários de Eduardo Portela, temos uma colocação extremamente importante, que ora transcrevo”.

Ou platitudes tautológicas do tipo “Lançando um olhar critico sobre o conjunto da obra de José Cândido de Carvalho, encontramos algumas peculiaridades. Os estilos de sua obra evidenciam alguns pontos nada comuns em outros autores (…)”.

Espantoso.

Como diria meu avô, “isso é que é fazer mesura com o chapéu alheio”. Ou, como prefere o vulgo, “gozar com o pau dos outros”.

Incomparáveis

14 maio 2008

Folha da Manhã
13.05.2008
Esporte
Lenda do futebol brasileiro – Mestre Didi

Mestre Didi foi campeão na Suécia, mas foi no Chile, em 1962, que ele chegou ao ápice da carreira. O campista ainda é apontado por muitos como o melhor jogador daquele mundial, desbancando até mesmo Pelé e Garrincha, na conquista do bicampeonato.

Não há duvida quanto à genialidade do Didi, a quem Nelson Rodrigues chamava de “príncipe etíope de rancho”, encantado pela sua elegância.

Mas compará-lo ao Pelé, em Chile 62, é de uma ignorância crassa sobre futebol, afinal, Pelé, vítima de contusão, abandonou a Copa ainda no segundo jogo, contra a Tchecoslováquia (empate de 0 x 0), sendo substituído por Amarildo (“O Possesso” – outra alcunha rodrigueana).

Mesmo a comparação com Garrincha é arriscada, pois sabemos que 62 foi justamente a Copa em que o desconcertante Mané foi o insuperável virtuose, um solista em estado de graça.

E por falar em Nelson Rodrigues, fiquem com esse trecho de uma crônica de sua autoria, de 25/02/1958, comentando Santos 5 x 3 América, no Maracanã, pelo Torneio Rio-São Paulo. É a primeira vez que o autor fala sobre Pelé, então com 17 anos de idade, e já o chama de “Rei” (o primeiro a fazê-lo).

Há certas idades que são aberrantes, inverossímeis. Uma delas é a de Pelé. Eu, com mais de quarenta, custo a crer que alguém possa ter dezessete anos, jamais. Pois bem: — verdadeiro garoto, o meu personagem anda em campo com uma dessas autoridades irresistíveis e fatais. Dir-se-ia um rei, não sei se Lear, se imperador Jones, se etíope. Racialmente perfeito, do seu peito parecem pender mantos invisíveis. Em suma: — Ponham-no em qualquer rancho e sua majestade dinástica há de ofuscar toda a corte em derredor.